Por Marcelo Pereira
Ontem acabou a 10ª temporada do maior “reality show” da televisão brasileira, o BBB 10, da TV Globo. Eu, publicitário de formação e curioso por natureza, me sinto na obrigação de assistir, independente da opinião pessoal sobre o programa (se é bom ou não nem vem ao caso). Mas o fato é que, até ontem, se você não soubesse ao menos quem estava na final, você estaria totalmente “por fora” de qualquer conversa ou roda de bate-papo. Fato.
Porém, esta semana, acompanhando o twitter do @roteirodecinema, do Fernando Marés de Souza (criador do excelente “Porra, Maurício”), fui direcionado para um texto muito interessante do roteirista de cinema Thiago Dottori, com o título: “O dia em que Dourado me deu uma aula sobre Shakespeare”. (clique no link, leia o texto – eu aguardo – e só depois volte aqui.
O texto do Thiago foi muito feliz, ao meu ver. É uma aula de construção de personagens e seus conflitos, e me ajudou a entender porque eu também tinha a mesma dúvida dele: “Por que o público (audiência) estava se identificando mais com um cara de opiniões duvidosas do que alguém de melhor caráter, aparentemente?”.
E aí que vem o “pulo do gato”: o “reality show”, de realidade não tem nada. É um programa, como outro qualquer da grade de programação da emissora, e seu objetivo é o da santíssima trindade “Audiência – Patrocinadores – Lucro”. E vendo deste ângulo, fica meio óbvio a necessidade de se ter um roteiro, algo que conduza as ações. Que fique claro: não acredito que exista um “roteiro”, propriamente dito, com divisão de cenas e diálogos, isso não. Mas existem os personagens e seus conflitos, tal qual uma... novela, uma obra de ficção.
E como bem disse o Thiago Dottori, dentre todos os “personagens” do jogo, venceu aquele que tinha melhor apelo junto ao público : o bruto/bad boy/problemático/”loser” Marcelo Dourado.
Talvez fique aí uma lição aos roteiristas iniciantes (ou veteranos também): por quê na maioria das obras de ficção o “bem” tem que, obrigatoriamente, vencer o “mal”? Ou por quê o “bandido” tem que ser punido?
Talvez o público já esteja um pouco cansado de “finais felizes”, por saber exatamente que tudo não passa de uma ilusão dentro da dura realidade em que vivemos.
Será?
Ps.: Uma nota triste nisso tudo: o fato de um programa de TV ter mais de 150 milhões de votos, enquanto temas realmente importantes, como a “Campanha Ficha Limpa” não conseguem nem 1 por cento disso de adesão popular. Lamentável.
See ya!
4 Elementos – Fábrica de Ideias
Ontem acabou a 10ª temporada do maior “reality show” da televisão brasileira, o BBB 10, da TV Globo. Eu, publicitário de formação e curioso por natureza, me sinto na obrigação de assistir, independente da opinião pessoal sobre o programa (se é bom ou não nem vem ao caso). Mas o fato é que, até ontem, se você não soubesse ao menos quem estava na final, você estaria totalmente “por fora” de qualquer conversa ou roda de bate-papo. Fato.
Porém, esta semana, acompanhando o twitter do @roteirodecinema, do Fernando Marés de Souza (criador do excelente “Porra, Maurício”), fui direcionado para um texto muito interessante do roteirista de cinema Thiago Dottori, com o título: “O dia em que Dourado me deu uma aula sobre Shakespeare”. (clique no link, leia o texto – eu aguardo – e só depois volte aqui.
O texto do Thiago foi muito feliz, ao meu ver. É uma aula de construção de personagens e seus conflitos, e me ajudou a entender porque eu também tinha a mesma dúvida dele: “Por que o público (audiência) estava se identificando mais com um cara de opiniões duvidosas do que alguém de melhor caráter, aparentemente?”.
E aí que vem o “pulo do gato”: o “reality show”, de realidade não tem nada. É um programa, como outro qualquer da grade de programação da emissora, e seu objetivo é o da santíssima trindade “Audiência – Patrocinadores – Lucro”. E vendo deste ângulo, fica meio óbvio a necessidade de se ter um roteiro, algo que conduza as ações. Que fique claro: não acredito que exista um “roteiro”, propriamente dito, com divisão de cenas e diálogos, isso não. Mas existem os personagens e seus conflitos, tal qual uma... novela, uma obra de ficção.
E como bem disse o Thiago Dottori, dentre todos os “personagens” do jogo, venceu aquele que tinha melhor apelo junto ao público : o bruto/bad boy/problemático/”loser” Marcelo Dourado.
Talvez fique aí uma lição aos roteiristas iniciantes (ou veteranos também): por quê na maioria das obras de ficção o “bem” tem que, obrigatoriamente, vencer o “mal”? Ou por quê o “bandido” tem que ser punido?
Talvez o público já esteja um pouco cansado de “finais felizes”, por saber exatamente que tudo não passa de uma ilusão dentro da dura realidade em que vivemos.
Será?
Ps.: Uma nota triste nisso tudo: o fato de um programa de TV ter mais de 150 milhões de votos, enquanto temas realmente importantes, como a “Campanha Ficha Limpa” não conseguem nem 1 por cento disso de adesão popular. Lamentável.
See ya!
4 Elementos – Fábrica de Ideias
12 Comenta aqui!:
Estranha e um tanto absurda essa "tese". É a tragédia que é desvincular o Teatro das questões sociais e políticas, os anseios humanos. As questões são graves demais e nada , absolutamente nada tem a ver com " por que tem que ter a vitória do Bem x o Mal?" e etc. Como se diz por aí, parece que o autor do post "viajou na maionese. Dourado ganhou não por que foi o Mal em uma "novíssima" dramaturgia, muito menos esse papo adolescente de "por quê o “bandido” tem que ser punido?"
Dourado ganhou - e isso nada tem a ver com Teatro, nada! - por que representa tragicamente e assustadoramente o que o povo brasileiro - os l50 milhões de espectadores - quer como lider: um Führer novo no poder, aquele que morde e assopra; um patriarcalista, um machista, um homofóbico, que fala o que quer, por que - e aí está o que eu chamo de apavorante - é isso tudo que o povo brasileiro é, conservador e reacionário. Além do BBB, temos tido vários outros exemplos disso na mídia e fora dela, infelizmente, vide só um caso, por exemplo, o da estudante Geisa, perseguida por universitários na UNIBAN, só por que usava um vestido curto, num país onde as pessoas não podem mais se vestirem como querem e como podem.
Foi por isso que Dourado ganhou, da mesmíssima maneira que ele seria eleito, caso fosse candidato a presidente. E aí, para a ditadura, um passo. Ditadura que é o que o povo - espectadores - quer. O grande cineasta Ingmar Bergman já mostrou como o nazismo e os totalitarismos nascem pequenos, em coisas que parecem não oferecer perigo e depois crescem até sairem do controle, no seu belo filme " O Ovo da Serpente".
Vocês dizem que querem criar aqui um "conteúdo provocativo"; desculpem, mas não vejo provocação nenhuma numa análise tão reacionária e superficial de algo tão grave, onde o buraco é bem mais embaixo que a superficialidade aqui revelada. Dourado nada, absolutamente nada, muito menos o BBB têm a ver com Shakespeare, mas sim com os piores ditadores africanos ou com o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad, é com isso que ele tem a a ver.
Mesmo que seja uma postura utópica e romântica, eu ainda insisto em acreditar que Teatro é para ir contra o reacionarismo, para ir contra o conservadorismo, para ser uma revolução, um tribunal para os conflitos humanos, nada disso tem no BBB, muito menos em Dourado. Dourado nada tem a ver com Shakespeare, mas com Hitler. (Em tempo: só vim aqui por que recebi um convite para o blog, pedindo OPINIÃO, nas listas de discussão sobre Teatro no Yahoo, portanto, fui convidado. Se quiserem "moderar", novíssimo nome para a velhíssima censura, nada posso fazer.
Obrigado,
Ricardo Aguieiras
dramaturgo
aguieiras2002@yahoo.com.br
Acho o texto do Dottori bem interessante e acho mesmo que o público já não vota tanto no mocinho e quer mesmo é ver o circo pegar fogo. Nesse caso, não venceu nem o melhor e nem podemos dizer que o programa teve seu final feliz. É quase como um filme de assalto a banco, onde torcemos pro bandido.
O que me incomoda no caso do BBB é que pode-se dizer isso ou aquilo sobre um ou outro personagem mas a real é que todos os "personagens" eram no geral bem fracos. E acompanhar o programa era ver uns merchands feitos de uma forma bizonha, que passava por cima de qualquer situação onde os personagens fariam coisas mais relevantes ou interessantes.
Comentei isso no meu blog também:
http://audiovisualempalavras.blogspot.com/2010/03/shoptour-embalado-como-reality-show-ou.html
Já que o formato funciona, depois de 10 edições, por que não "jogar" com personagens ou situações mais interessantes? Vcs tb não acham? Abs.
Olá, Ricardo, tudo bem?
Obrigado pelo seu comentário. Aqui, todas as opiniões são e sempre serão bem-vindas. Os únicos comentários barrados serão os spams e propagandas.
Quanto ao post, fiz apenas um breve comentário sobre um texto que achei interessante. Esse tema é tão polêmico que algumas linhas simplesmente não são suficientes, por isso o comentário "superficial".
E discordo em um ponto, porque acho q foi provocativo o bastante pra que você se dispusesse a colocar sua opinião pra gente, né?
Mas concordo também com o ponto onde diz que o comportamento do público reflete a imagem retrógrada de grande parte da população, que é preconceituosa, não recebe bem o diferente, entre outras coisas.
E finalizando, no texto do Thiago ele compara o Dourado com a maneira que se cria um personagem na dramaturgia, o qual eu concordei bastante. Se bem que eu, particularmente, acho que o Dourado poderia perfeitamente ter saído de um texto de Nelson Rodrigues. Não acha?
Valeu mesmo pelo seu comentário. Abs!
Marcelo Pereira
4 Elementos - Fábrica de Ideias
Não, não acho! já disse tudo o que pensava aqui e num email particular que te mandei. E não vi nada, absolutamente nada de "provocativo" mas suas colocações, ao contrário, são tediosas e repugnantes. Não é apenas o tal "provocativo" que mobiliza as pessoas, muitas vezes elas são mobilizadas pelos absurdos cotidianos , como a sua argumentação.
Não virei mais aqui, esse blog não me pertence. Agora, se continuar expondo suas opiniões na mesma lista de discussão que eu participo, o que é um direito seu, poderá deparar com uma resposta minha, o que também é direito meu. Fazia um bom tempo em que eu não lia coisas tão frágeis, digamos frágeis, para não falar algo bem mais sério e pesado.
Na minha opinião esse Ricardo Aguieiras é um babaca, metido a intelectual,ficou todo mordidinho com o post e vem falar que o conteudo não é provocativo? Deve ser mais um defensor de duas bichinhas dando selinho em rede nacional, isso sim é legal, né Ricardo??? Mas em uma coisa ele tem razão, acho que os posts poderiam ser escritos de uma forma mais casual, tem hora que fica meio monotono a leitura. Mas eu sempre estou aqui.
beijos
Ricardo Aguieiras,
escritor de 47 anos é barebacke assumido e tem sido chamado de "louco",
"suicida" e "assassino”, até mesmo pelos amigos. Ele revela, em uma entrevista à
Alvarenga (2004), inúmeras justificativas para a não utilização do preservativo.
Afirma que ainda se preocupa, e muito, com a Aids, mesmo algum tempo depois
de decidir ser um barebacker e lançar-se em relações sem proteção em saunas,
boates e dark rooms4, onde o risco de infecção pelo HIV é a principal fonte de
prazer. Contudo, este prazer de relacionar-se sem preservativo, segundo
Aguieiras, é maior que o medo da morte. Defende suas idéias com argumentos
como o “cansaço” das pessoas com a obrigatoriedade de realizar sexo seguro,
afirmando que as pessoas têm o direito de correr os riscos que quiserem em
nome do prazer, que é um direito a ser vivido individualmente.
RETIRADO DE: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/1946/4454
Quem quiser ver na integra o artigo citado pelo amigo Dirceu Capuchinqui, eis o link:
http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/
cadernosdepesquisa/article/view/
1946/4454
Página 4, parágrafo 3°.
Muito obrigado, Dirceu!
Abraço!
Marcelo Pereira
4 Elementos - Fábrica de Ideias
Caraca maluco fiquei bolado com esse tal de Ricardo Aguieiras!!!
fiquei com medo de você Ricardo, explica essa entrevista que vc deu.
beijosssssss
Olha só como a provocação é interessante, eu li todos os comentários até agora só por causa do Ricardo! O que seria da luz, se não houvesse escuridão?
Diz ai Giordano, vc é luz ou escuridão???
Bem, eu me considero um pouco dos dois. Nestes tempos de de crises internacionais e mudanças repentinas nos cenários econômicos, é preciso ser um pouco volátil...
Mas, falando séio, para viver bem a gente tem q ser um pouco maluco, e isso inclui passear pelos dois mundos, sabendo aproveitar o melhor de cada um...
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