segunda-feira, 8 de março de 2010

Oscar 2010 - Espere o inesperado.

Por Marcelo Pereira

Uau! Quanto tempo... tudo cheio de poeira e teia de aranha por aqui... Rs..

Saudades? Muitas. Novidades? Algumas. Tempo sobrando? Nenhum. Essa é a vida, corrida.

Mas, demos uma pausa em nossos projetos, para colocar o papo em dia, especialmente (e aproveitando) após este Oscar 2010, que foi um tanto... fora da ordem.

Por quê “fora da ordem”? Primeira mulher ganhando Oscar de Direção, filmes de baixo orçamento se perfazendo sobre os “blockbusters”, mesma atriz ganhando Oscar e Framboesa de Ouro... Alguma coisa está fora da ordem mundial.

Então, vamos às considerações e pitacos sobre a “Festa do Cinema”...

- “Avatar” X “Guerra ao Terror”

O primeiro custou aproximadamente 500 milhões (!!) de dólares, mas em compensação abocanhou mais de 1 Bilhão só em bilheteria, no mundo todo. O segundo, custou 11 mendigados milhões de dólares, quase não se pagou nos USA, e aqui no Brasil (como em boa parte do mundo) foi lançado diretamente em DVD (pra ver como nossos “produtores” estão entendendo bem de cinema, né...).

Em compensação, o primeiro “só” ganhou 3 prêmios (todos técnicos – Direção de Arte, Fotografia e Efeitos Especiais), enquanto o filme “mais pobrinho” levou seis, destaque especial para Direção e Melhor Filme (claro!).

O que isso significa? Talvez a Academia tenha (finalmente!) se dado conta de que é possível fazer bons filmes utilizando pouco ou menos dinheiro, no caso. E que qualidade não está atrelada a verbas monstruosas de execução (e, principalmente, de marketing). “Avatar” tem o seu valor, óbvio. Talvez seja considerado, daqui alguns anos, como “o filme que salvou a indústria cinematográfica mundial” (da pirataria, por exemplo), pelos avanços tecnológicos e espetáculo enquanto entretenimento. Mas como estória, era dos mais fraquinhos, sem dúvida. “Guerra ao Terror” não era meu favorito, mas pelo esforço, acho que foi merecido.

- Kathryn Bigelow

Primeira mulher a receber a honra por Melhor Direção, em 82 anos de Oscar. Merecido. E, o que eu acho melhor de tudo, é que aparentemente (aparentemente, ok?) foi um prêmio sincero da Academia, não apenas um prêmio do tipo “cala a boca” da crítica e tal. E nada mais justo, em um mundo cada dia mais “feminista”, que mais esta barreira caísse por terra.

- Sandra Bullock

Coisa doida, né? Em um dia, ganhar o prêmio (?) de pior atriz, e no dia seguinte, o Oscar de melhor atriz. Pois foi isso que aconteceu: Sandra Bullock ganhou o Framboesa de Ouro por sua atuação em Maluca Paixão no sábado, e no domingo, bateu Meryl Streep (Julie e Julia) e Gabourey Sidibe (Precious). Para se ver a importância que tem a escolha do roteiro e a direção na vida de um ator.

- Filmes de baixo orçamento

A Academia, ao reconhecer produções de baixo orçamento como “Guerra ao Terror” e “Precious”, dá um certo alento para a nossa produção de filmes. Pois isso nós sabemos fazer bem: trabalhar com pouca grana e mesmo assim, fazer cinema de qualidade (ta certo que estamos atrás de Argentina, Chile, Equador). Pelo menos, assim iguala as coisas.

Pelo menos eu acho. E vocês? Comentários são extremamente bem-vindos, como sempre.

E pra finalizar este “post” enorme, o Curta Metragem de Animação vencedor do Oscar 2010, “Logorama” da produtora francesa H5.

Genial!



See ya!
4 Elementos – Fábrica de Ideias

3 Comenta aqui!:

Amanda Aouad disse...

Bom, a disputa parece que se concentrou mesmo entre Avatar e Guerra, assim, ficou esquecido o melhor filme em minha opinião que foi Bastardos Inglórios. Adorei Kathryn Bigelow quebrando tabus e o filme Argentino levando o filme estrangeiro.
Já Logorama é um curta criativo, o mote dos símbolos de propaganda e tal, mas lá pela metade do filme, fica chato. Eu gostei muito mais de A dama e a morte, e do curta de Wallace and Gromit.

Tecelã disse...

apesar da repercussão que tem, não levo o Oscar muito a sério. Daí não estranho premiarem o fraco (na minha opinião) Guerra ao Terror. Mas o que mais me intriga é que os comentários são sempre sobre a disputa ex-marido x es-mulher e a as cifras dos 2 filmes (Avatar e o venecdor). Não vi comentários significativos sobre o valor do filme da Bigelow, que a meu ver nem roteiro tem. O suspense se esvai devido à repetição, o ator apela para caras e bocas. Acho que um documentário seria mais adequado pra falar do que ela se pretendeu: o soldado americano é o grande herói que se sacrifica pela humanidade... Ideologias à parte, o filme é fraco como filme mesmo.
Enfim... resta ficar feliz com a premiação do argentino.

Tecelã disse...

ôpa, esqueci detalhe importante; parabéns pelo blog.
grande abraço.